A importância da literacia na saúde

É de domínio público, que o estado de saúde dos indivíduos depende em grande parte da educação, do comportamento e dos estilos de vida, da gestão da doença crónica e da aliança terapêutica com os profissionais de saúde, sendo essencial o reforço do poder e da responsabilidade do cidadão em contribuir para a melhoria da saúde individual e coletiva. (Plano Nacional de Saúde 2012-2016) 

“A boa saúde envolve reduzir os níveis de insucesso escolar, reduzir a insegurança e o desemprego e melhorar o alojamento. As sociedades que permitem aos cidadãos ter um papel activo social, económico e cultural serão mais saudáveis do que aquelas onde os indivíduos enfrentam a insegurança, a exclusão e a carência (The Solid Facts, in Monteiro, 2009). 

Literacia na saúde é definida como um conjunto de “competências cognitivas e sociais e a capacidade dos indivíduos para ganharem acesso a compreenderem e a usarem informação de forma a que promovam e mantenham boa saúde. É ainda a capacidade para tomar decisões em saúde fundamentadas, no decurso da vida do dia a dia – em casa, na comunidade, no local de trabalho, no mercado, na utilização do sistema de saúde e no contexto político; possibilita o aumento do controlo das pessoas sobre a sua saúde, a sua capacidade para procurar informação e para assumir responsabilidades. (Who, in OMS) 

A literacia em saúde, baseia-se na interacção entre as aptidões dos indivíduos e os respectivos contextos de saúde, o sistema de educação e os factores sociais e culturais em casa, no trabalho e na comunidade. Desta forma, o doente do séc. XXI (Coulter in Plano Nacional de Saúde 2012-2016:29) é decisor, gestor e coprodutor de saúde, avaliador, agente de mudança, contribuinte e cidadão ativo, cuja voz deve influenciar as políticas de saúde. 

Através da literacia o indivíduo capacita-se para o alcance dos seus objectivos, para desenvolver os seus potenciais e o seu conhecimento, de modo a poder participar de forma completa na sociedade. A Carta de Ottawa, para a promoção da saúde declara “ A Saúde é criada no contexto da vida cotidiana, onde as pessoas vivem, amam, trabalham e têm direito ao lazer”, expectando aumentar a capacidade dos indivíduos e comunidades, paracontrolarem a sua saúde, no sentido de a melhorar. A Escola Nacional de Saúde Pública, afirma que as competências de literacia em saúde incluem, competências básicas em saúde [1] competências do doente[2], competências enquanto consumidor[3], competências como cidadão. (Furtado, Cláudia et al 2010)

Contudo, para exercer controlo sobre a sua saúde, os indivíduos necessitam de informação, conhecimento e compreensão, factores que lhes transmitem confiança e vontade de manter o controlo. Salienta-se ainda a necessidade do indivíduo, de ser capaz de identificar as suas carências em saúde, de conhecimento das fontes de informação, da capacidade de leitura e compreensão de informação relevante e avaliação das opções. (Monteiro, Maria 2009). 

Todos os estudos ao tema, revelaram que a baixa literacia em saúde se relaciona com piores resultados em saúde (Scholman; Brown et al in Monteiro, 2009). Assim, reduzida literacia em saúde pode contribuir fortemente para as desigualdades em saúde e esta relação é recíproca. Diminuir a distância na literacia em saúde pode ajudar a minimizar algumas das desigualdades que flagelam as sociedades europeias em termos de esperança de vida, resultados nos cuidados de saúde e mortalidade. 

[1] facilitadoras da adopção de comportamentos protectores da saúde e de prevenção da doença e do auto-cuidado. 
[2] para se orientar no sistema de saúde e agir como um parceiro activo dos profissionais. 
[3] para tomar decisões de saúde na selecção de bens e serviços e agir de acordo com os direitos dos consumidores, caso seja necessário. 18 através de comportamentos informados, como o conhecimento dos seus direitos em saúde, participação no debate de assuntos de saúde e pertença a organizações de saúde e de doentes

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